• Rodrigo Saminêz

Taylor Swift dá espaço pra nostalgia e pros detalhes em novo álbum

A artista se juntou com uma equipe de grande peso e lançou um disco de surpresa, feito durante a quarentena.

Foto: Beth Garrabrant

Um lançamento de um artista do mainstream que se volta para uma estética que não é a de costume é sempre um movimento interessante de se acompanhar mais de perto. Logo, quando Taylor Swift anunciou o disco "folklore", algumas horas antes do seu lançamento, o sentimento que predominava era a curiosidade. A produção mais voltada pro folk nos faz lembrar que a artista começou sua carreira num tom mais country, no entanto, o disco não é um retorno à essa época. É uma proposta completamente nova pra carreira de Swift, e é com certeza seu disco com mais cuidado e detalhes até então, detalhes estes que servem à história frágil e nostálgica que Taylor conta no disco. Viver um relacionamento presente que remete a um outro antigo, como fica claro em "exile" (I think I've seen this film before/ And I didn't like the ending), a excelente (e não tão inusitada assim) parceria com Bon Iver, é um tema que conecta as músicas do álbum, onde Swift não fala só de suas experiências amorosas, mas de alguns entes queridos de sua família e algumas amizades antigas.



Para esse álbum, Swift contou com uma equipe de peso dentro do alternativo: a produção do álbum é dividida entre ela mesma, Jack Antonoff, que já trabalhou em outros discos da artista, e também com St. Vincent e Lana del Rey, e Aaron Dessner, da banda The National. Todo esse time fez uma produção épica e minimalista ao mesmo tempo. Em algumas músicas (como "mirrorball" e "invisible string") as percussões, que misturam timbres orgânicos com eletrônicos, são quase ambientações trabalhadas sempre em timbres sutis, para dar espaço pras estrelas do disco: pianos abafados, violões em dobras e cordas, sendo essa última sempre em um tom mais grandioso, composta em sua maioria por Rob Moose, companheiro de longa data de Bon Iver.



Apesar da excelência na produção de todas as músicas, o álbum acaba se repetindo em algumas canções que com certeza funcionam enquanto músicas independentes, mas dentro da obra completa soam como "fillers", causando um certo inchaço. Este, também se dá pela temática de grande parte das letras, que apesar de ainda trazerem a grande capacidade de Swift de retratar momentos com muitos detalhes, sempre trazem uma perspectiva muito semelhante do mesmo assunto, salvo exemplos que aparecem mais pro fim do disco, como "mad woman", onde Swift canta num tom sarcástico sobre a adjetivação de mulheres como "loucas" e entrega o real sentido da canção nas entrelinhas, e "epiphany", que fala sobre o avô da artista, e suas experiências na guerra. Apesar de ser um disco maior do que deveria, "folklore" é uma entrega sutil e frágil de temas íntimos para a artista, abraçados por uma experimentação no folk feita com excelência e com uma atenção muito especial aos detalhes, tanto sonoros, quanto líricos. É, com certeza, uma obra que não se esgota num primeiro contato.



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