• Rodrigo Saminêz

Negro Leo pensa a mistura do digital com o humano em novo disco

O artista mistura experimentalismo com música brasileira pra criticar o comportamento humano na era digital.


Em meio à engasgos e nós, Negro Leo lança Desejo de Lacrar, seu nono disco, que se propõe a traçar e criticar as relações humanas na era digital. Apesar do tema já explorado diversas vezes, Negro Leo consegue honrar o título de um dos artistas mais inventivos da nossa geração, como ficou claro com os discos Água Batizada e Action Lekking, este último figurando entre um dos discos do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte e por Peter Margasak, crítico do Chicago Reader, trazendo o sentimento claustrofóbico e distópico que a temática pede.


O som parece uma mistura de Björk e Death Grips com a música brasileira, desde tropicália até os sons mais contemporâneos, flertando com o orgânico e o eletrônico. Sem medo de experimentar, o artista mergulha de cabeça no conceito do lacre, originado na cultura LGBTQ+, mas que hoje, o próprio músico constata que se ressignificou para um desejo sobressalente de vencer, de estar certo à qualquer custo. O álbum traz a mesma urgência do tema nos arranjos e nos vocais, muitas vezes embalados em delays e reverbs, num som agridoce e com forte crítica política. Leo usa um som que incomoda para comentar que o avanço do conservadorismo "acabou resultando numa mudança de mentalidade mais abrangente que veio a dar no golpe e na ascensão do ultraliberalismo-escravocrata, que basicamente se comunica através do logos lacrador. “Não por acaso Bolsonaro recebeu de seus seguidores a alcunha de ‘mito’”, comenta o músico. Ouça o disco no player abaixo:



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