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5 melhores discos de 2020 (até agora)

2020 não ta fácil pra ninguém, mas ainda bem que, falando de música, só têm trabalhos incríveis saindo!


É até um pouco difícil de acreditar, mas 2020 já passou da metade. Durante esse primeiro semestre, gerações inteiras viram transformações inéditas no mundo, e estamos passando por um período de mudanças que com certeza estarão nos livros de história daqui a alguns anos. E é óbvio que um período tão decisivo ia vir acompanhado de obras artistícas que representam o momento com a mesma intensidade que ele acontece.


Pra comemorar o lançamento do nosso site, fizemos uma seleção contando com todos os nossos membros redatores, pra listar cinco lançamentos indispensáveis pra você começar bem o segundo semestre - nem que seja só musicalmente bem - com tudo de mais legal que rolou nesse semestre, de acordo com a gente, e você poder ouvir um pouquinho do que vozes tão inquietas estão falando durante o período de pandemia.


Fetch The Bolt Cutters - Fiona Apple

(por Ana Rodrigues)


Fiona Apple é aquele tipo de pessoa que se permite sentir e sentir, demasiadamente, o que deve ser confrontado. Deixando o piano em segundo plano a tônica em Fecth The Bolt Cutters é a turbulenta e afrontosa percussão. Aqui, Fiona utilizou o que tinha à mão em sua casa, blocos de madeira, tambores gigantes, sinos, palmas e batidas de pé no assoalho, até seu cachorro aparece em algumas músicas. Não é uma tarefa fácil se debruçar na obra da novaiorquina e Fecth The Bolt Cutters é a libertação que a compositora faz dela mesma, ou melhor, é uma libertação do que ela fez com o que fizeram dela. Violência sexual e psicológica, amantes tóxicos, bullying, repressão, o desejo de ser plenamente amada e desejada, mesmo após inúmeras desilusões amorosas, são postos à mesa com toda honestidade, vulnerabilidade e ira que só Fiona Apple consegue manifestar.



Everything is Beautiful - Princess Nokia

(por Mirella Rodrigues)


Everything is Beautiful foi uma agradável surpresa em 2020. Anunciado dois dias antes do lançamento, o disco foi um presente duplo: no mesmo dia nasceu Everything Sucks, o yang de Everything is Beautiful. Destiny Frasqueri, a Princess Nokia, nos entrega uma performance muito solar nesse álbum, sem perder a qualidade presente em 1992, disco de estreia da rapper. Pra quem já conhece a artista, sabe que versatilidade é o que não falta. Aqui vemos uma faceta alegre, mas sem deixar a essência de Destiny, que usa a alegria e sensibilidade para se defender do ódio recebido.


As faixas do novo álbum bebem de diversas fontes, como o gospel, o jazz, o neo soul e referências latino-americanas. Fica o destaque para a excelente Gemini, canção que entrega tons mais altos e um flow marcante.



græ - Moses Sumney

(por Rodrigo Saminêz)


Se analisarmos todos os lançamentos que aconteceram já no período da pandemia da Covid-19, é possível selecionar um punhado de artistas que aparentavam já saber do que o mundo todo ia passar, e, principalmente, sentir durante esses meses (talvez anos?). Se fosse possível "rankear" o grau de relevância desse grupo seleto de trabalhos que compartilham essa característica entre si, arrisco dizer que o græ, segundo disco (e primeiro álbum duplo!) de Moses Sumney, que já tinha agradado público e crítica com Aromanticism, em 2017, mas agora ele provou que se renovar enquanto artista é só uma questão de tempo. Aqui, desde o primeiro single e clipe lançado pra divulgação do disco, que você pode assistir abaixo, até a faixa de encerramento, Moses se apresentou ainda mais vulnerável do que em seu disco de estreia, trazendo discussões profundas e relevantes sobre masculinidades, negritude, aceitação de amor e afeto, solidão e, talvez principalmente, o isolamento que acontece não socialmente, mas dentro do próprio indivíduo.



SAWAYAMA - Rina Sawayama

(por Vinícius Cerqueira)


Se o próprio Elton John escolheu esse como o melhor disco do ano (até agora) não sou eu que tinha que discordar, certo? Pois bem, a mistura de gêneros e elementos musicais dentro de SAWAYAMA, primeiro disco de estúdio de Rina Sawayama, fazem com que ele se destaque e fuja da obviedade da maioria das cantoras do pop atual. Os conceitos são variados que vão desde ao consumo excessivo a amizades mal resolvidas. Além disso, outro aspecto a ser levado em conta é a produção do disco que insere graciosamente elementos oitentistas até beats em 8-bit nas músicas e isso atribui aos vocais de Rina uma certa sagacidade.



TO LOVE IS TO LIVE - Jehnny Beth

(por Jan Silva)


Mais conhecida pelo trabalho na banda feminina Savages, Jehnny Beth traz uma bagagem sólida aliada a novas experimentações em TO LOVE IS TO LIVE. O primeiro disco solo da cantora francesa conta com harmonias incomuns e arranjos eletrônicos recheados de distorções, frequentemente comparados ao trabalho do Nine Inch Nails, algo que pode ser experienciado já na segunda faixa, Innocence. Outra característica do registro é o contraste entre a calmaria e o caos, presentes na faixa Flower, uma das melhores do disco. Algumas faixas de transição como I Am e A Place Above ajudam a conduzir o ouvinte entre as canções que trazem vários climas distintos, desde arranjos mais jazzísticos com piano e sax até momentos onde a densidade reina com maestria. Outros destaques são a caótica I'm The Man (presente na trilha sonora da série Peaky Blinders), a dançante/freak Heroine e We Will Sin Together que possui um dos melhores videoclipes do disco, e que você pode conferir no player abaixo. TO LOVE IS TO LIVE é um registro onde Beth explora ao máximo suas possibilidades como compositora, cantora e artista, que culminou num resultado primoroso e com certeza um dos melhores trabalhos de 2020.



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