• Rodrigo Saminêz

Conheça Ítallo: as memórias e os sons tipicamente brasileiros de um futebol democrático

Em "O Time da Mooca", o músico alagoano mostra suas memórias de infância em campos de futebol como forma de resistência.

Foto: Divulgação

Quatro anos depois da estreia no disco "Casa", Ítallo acrescenta sons diferentes à sua carreira com o novo disco que apresenta ao mundo "O Time da Mooca", um álbum para reunir as memórias da infância e da adolescência do músico nos campos de futebol de sua cidade natal, Arapiraca (AL), que, para além de um ambiente de lazer democrático, é interpretado pelo músico como um ambiente de resistência típicamente (e internacionalmente conhecido por ser) brasileiro, com timbragens que remetem muito ao samba e ao reginal, mas que ressaltam o fato de que claramente Ítallo tem ouvidos muito atentos à sons do Brasil e do mundo inteiro. O trabalho foi financiado pelo edital de Fomento à Criação Artística Arapiraquense – Prêmio Mestre Nelson Rosa.



"Eu sou alagoano, de origem humilde, minha pele é escura, falo das minhas observações imediatas da infanto-adolescência e isso de alguma maneira pode ser encarado como um gesto de resistência cultural, afinal, não tenho o perfil do artista bem sucedido, propriamente. Jovens como eu estão correndo da polícia, tendo que trabalhar pra conseguir um mínimo de dignidade e isto não quer dizer que eu não esteja passando pelas mesmas questões. A diferença é que, para além dos problemas que um homem do meu perfil passam, eu resisto e faço arte com alguma qualidade", conta ítallo sobre o novo disco, e sobre si mesmo.