• Vinicius Cerqueira

A continuação da palavra preta em "O Líder em Movimento"

Rapper carioca se inspira em líderes negros para continuar o trabalho deles em novo disco e um sucessor interessante para o último álbum


"BK" é com certeza um dos principais nomes da nova onda do rap nacional, juntamente com uma porção de gente tão boa quanto que tem produzido muita música boa para a cena em geral. Em seu mais novo disco de estúdio, lançado nesta segunda-feira (7), "O Líder em Movimento" prova mais uma vez o que ele precisa falar com linhas cirúrgicas que apontam o racismo institucionalizado no Brasil e como líderes pretos são tratados no mundo inteiro.


Contrariando grande parte dos artistas, não só de rap, mas da indústria musical como um todo, "BK" vem de dois grandes discos. O primeiro "Castelos & Ruínas" (2016) que foi responsável em colocar seu nome em destaque e o "Gigantes" (2018), que é tão importante quanto em sua carreira, na qual o consolidou definitivamente como um artista e que para mim é o disco mais completo e sincero dele até hoje. Já em "O Líder em Movimento" é narrado por um líder preto crítica o a morte de outros grande líderes pretos da atualidade que contribuíram para o discurso negros. Na primeira faixa "Movimento" já fica bem explícita esse pensamento: "Eles mataram Pac, mataram Big / Eles querem matar um mano que resiste" ou então no trecho "E hoje nós que somos bruxos, feiticeiras / Malcolm X, eu não tô bem com isso / Mataram Marielle e ninguém sabe o motivo"



Fora isso o disco se liga muito aos protestos do Black Lives Matter que começaram primeiramente nos EUA com a morte de George Floyd e se espalharam pelo mundo inteiro, inclusive o Brasil no movimento antiracista. Outro discurso bem pertinente discutido dentro da narrativo do álbum é a conquista do negro através de bens materiais, no sentido de status e como potência, tal como os Racionais discutem isso em "Vida Loka Part. II" lá em 2002. Ou seja, não é porque o homem ou a mulher negra conquista espaço que não irá usufruir do sistema capitalista se privando de possuir tais bens.


Contudo, a música mais interessante é a faixa 4 "Visão" na qual o rapper carioca põe a prova as diferentes formas de olhar sob os problemas sociais como racismo, religiosidade e outros. A letra provoca a elite branca brasileira, Bolsonaro, os pastores evangélicos e fecha com um discurso poderoso feito por Abdias do Nascimento "Pelas elites brancas que têm espoliado, não somente os descendentes africanos, mas todo este povo brasileiro."


Ao fim, "BK" traz consigo a responsabilidade de lançar um dos melhores discos de rap do ano no Brasil com discursos atuais e que irão ressoar por muitos anos. Junto a isso, o álbum foi masterizado nos Estados Unidos pelo mesmo engenheiro responsável por "DAMN.", de Kendrick Lamar e "IGOR", de Tyler, The Creator. O disco já está disponível nas principais plataformas de streaming, confira no player abaixo:





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